O fim do aluguel de software?

Eu ando pensando muito no volume de assinaturas que acumulamos ao longo dos anos. Parece que todo problema de negócio hoje exige um pagamento mensal recorrente. Mas algo está mudando no mercado de tecnologia e não é um detalhe pequeno.

Estamos vendo o nascimento do que alguns chamam de software caseiro. Com o avanço da inteligência artificial e o tal do vibe coding a barreira entre ter uma ideia e construir a ferramenta caiu drasticamente.

Li recentemente sobre o caso do Max Sinclair. Ele criou o Snowball OS em apenas dez dias usando o Claude. Ele parou de pagar ferramentas como o Pipedrive e agora economiza mil dólares por mês. Isso é dinheiro real no bolso do empreendedor.

A rebelião contra o modelo de aluguel

O modelo de Software como Serviço dominou o mundo porque era mais barato do que contratar uma equipe inteira de desenvolvimento tradicional. Só que agora o cenário mudou de novo. Se eu consigo descrever o que preciso para uma IA e ela gera o código funcional por que eu continuaria alugando uma solução genérica?

Doug Breaker é outro exemplo interessante que vi nos noticiários. Ele construiu aplicativos para sua própria empresa e economizou mais de cem mil dólares que seriam gastos com desenvolvimento externo. Isso mostra que o desenvolvimento visual e assistido por IA não é mais brincadeira de fim de semana.

Eu vejo isso como um movimento de des-SaaS-ificação. O software volta a ser um ativo proprietário. Ele se torna algo feito sob medida para o seu processo e não o contrário. É uma mudança de poder real nas mãos de quem entende o negócio mas não domina a sintaxe de uma linguagem.

O gargalo na porta de entrada

Claro que nem tudo é perfeito. Esse mar de aplicativos criados rapidamente começou a gerar problemas estruturais no mercado. A Apple Store viu um aumento de quase 55 por cento nos lançamentos de aplicativos no início de 2026.

O volume de submissões é tão alto que os prazos de aprovação estão ficando mais lentos. Isso acende um alerta sobre a qualidade e a manutenção desse software gerado por vibrações. Quem vai cuidar do código quando a API mudar ou quando surgir um erro obscuro no futuro?

Eu me pergunto se estamos criando uma nova forma de dívida técnica silenciosa. Criar ficou fácil mas manter exige uma disciplina que a IA ainda não substitui totalmente. É preciso ter consciência do que se está colocando no ar antes de cancelar todas as assinaturas.

Para quem está começando agora ou liderando um time o recado é claro. O custo de oportunidade de não usar essas ferramentas para criar soluções internas é cada vez maior. O software deixou de ser algo que você apenas compra e voltou a ser algo que você constrói.

Será que sua próxima ferramenta de trabalho vai vir de um formulário de cartão de crédito ou de uma conversa com um modelo de linguagem?